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Policial Feminina, entre a diferença e igualdade

Anita Caputti, Cabo da PM

Há 28 anos surgiram as primeiras mulheres a atuarem na Polícia Militar de Mato Grosso do Sul. Enfrentaram preconceito pelos próprios colegas de profissão, mas logo foram ganhando confiança e ocupando um espaço que antes era restrito aos homens. Hoje elas atuam nas ocorrências das ruas, empunhando armas e fazendo perseguições.

Temos atualmente no estado 462 policias do sexo feminino, entre PMS, Civis e Federais, o que representa oito por cento do efetivo masculino. A profissão de policial feminina é mais uma conquista da mulher, em um campo ocupado antes exclusivamente por homens.

Para o cabo Anita Caputti, 46, do 10º Batalhão das Moreninhas em Campo Grande, que entrou para a Polícia Militar há 26 anos, as mulheres eram discriminadas pelos colegas, além de se alojarem em quartéis separados. Não podiam concorrer a cargos mais importantes no Comando, que eram exclusivos para os homens. “Não foi fácil, andei no caminho das pedras, mas hoje fico feliz de ver que as policias femininas não enfrentam mais isso”, comenta Anita.

Mas nada disso fez essa mulher desistir do seu sonho. Criada na lavoura no interior do estado, Anita se inspirou ao ver uma policial feminina na rodoviária da Capital. Fez um concurso, passou e foi a primeira mulher policial a atuar nas ruas e a comandar uma viatura em Campo Grande. Desempenha há 11 anos um trabalho no combate ao abuso sexual de crianças e adolescentes, esteve à frente do caso envolvendo vereadores da cidade, entre outros.

Adriana Insabralde, Policial Rodoviária Federal

Já a policial rodoviária federal Adriana Insabralde, 39, que trabalha há seis anos na profissão não enfrentou tantos preconceitos.”Os mais jovens estão acostumados com a presença da mulher inclusive no comando de algumas operações”, comenta a Adriana.  O tratamento entre os sexos dentro do treinamento na academia são iguais, respeitando a natureza de cada um em relação à força física.

Além de se destacarem, as policias são menos vulneráveis à corrupção. Segundo a policial Infabralde, a mulher pensa uma, duas, várias vezes antes de fazer alguma coisa. Pensa muito nos filhos, então é bem mais difícil de fazer algo errado.

As policiais tem um ritmo de trabalho muito intenso, o que sacrifica o convívio com a família, “tenho duas filhas, a menor com quatro anos de idade que precisa de uma atenção maior, então tenho que ter uma estrutura montada para ir trabalhar tranqüila”, comenta a policial.

De acordo com Adriana os relacionamentos entre colegas de profissão são comuns. “Os policias passam muito tempo no trabalho, como em qualquer outro segmento de mercado acabam em casamento”, finaliza a policial rodoviária.

Itamara Romeiro, Capitã subcomandante da Companhia de Trânsito

Seguindo os passos do pai militar, a capitã subcomandante da Companhia de Trânsito de Campo Grande, Itamara Romeiro Nogueira, 34, casada com um policial militar está há 14 anos na corporação da Polícia Militar e comanda a CIAPTRAN. “50 por cento do efetivo da companhia de trânsito é de mulheres e sinto-me a vontade” comenta a capitã.

Itamara é bacharel em Segurança Pública está cursando o quarto semestre de Letras, fez vários cursos na área de trânsito e polícia comunitária. “Não enfrentei preconceitos, a farda impõe respeito, estou feliz em servir a corporação”, destaca a policial.

Em seu trabalho a capitã desenvolve projetos de educação de trânsito, como o Projeto Portas Abertas, onde são ensinadas noções de trânsito para crianças e o Projeto PARA-Programa de Ação de Redução de Acidentes, que já atingiu mais de oito mil pessoas, os policias vão as salas de aulas fazem blitz educativas e trabalham com deficientes. “A mulher, na sociedade, vem desenvolvendo um excelente trabalho dentro das várias profissões, alcançando inclusive cargos que exigem liderança. Antes na polícia o cargo máximo para uma mulher era de capitã, hoje chega até coronel, finaliza Itamara.

Atribuições e ampliação da presença das mulheres na Polícia Militar

De acordo com Coronel Geral da Polícia Militar do Estado de Mato Grosso do Sul, Carlos Alberto David dos Santos, os fatores limitadores da ampliação da presença das mulheres na polícia é o entendimento de que existem funções que são mais inerentes ao sexo masculino, como policiamento na fronteira e a guarda de presídios. Na PMMSm homens e mulheres compõem o mesmo quadro de acesso na carreira, assim as mulheres estão empregadas em todas as funções da atividade policial, as quais vem desempenhando sem qualquer dificuldade e com muita habilidade.

Quanto ao preconceito, o Cel. David acredita que provém de companheiros de trabalho ou de subordinados homens que nem sempre gostam de ser comandados por mulheres. “Nesses 28 anos de inclusão das mulheres na PMMS, muita coisa já mudou e a cada dia que passa o preconceito vem sendo gradativamente superado”, ressalta o coronel.  Como o quadro de acesso para homens e mulheres é único, a mulher pode chegar ao posto máximo (Coronel) como qualquer homem. No entanto, em Mato Grosso do Sul o cargo máximo foi o de Tenente-Coronel (penúltimo posto da carreira).

Para o Coronel Geral, existem pequenas diferenças em se trabalhar com homens e mulheres. “Somos socializados diferentes, portanto aprendemos desde crianças a nos comportarmos diferentes. Mas do ponto de vista funcional homens e mulheres podem ser igualmente dedicados e competentes”, afirma o coronel David.